Aprender o que são as redes sociais, como funcionam os algoritmos e a cultura da comparação, e de que forma influenciam a a sua saúde mental, a autoimagem e as respostas emocionais.
Utilizar ferramentas como silenciar, deixar de seguir e definir limites de tempo para construir um feed mais positivo. Refletir sobre os seus padrões de utilização, reduzir fatores desencadeadores e criar espaço para momentos autênticos, sem dispositivos.
Questionar representações irrealistas online, partilhar conteúdos com propósito e assumir a responsabilidade de dar o exemplo de um comportamento digital respeitador, honesto e responsável no seu grupo de pares.
Sinais de alerta para pares e técnicos de juventude:
Estes sinais indicam um hábito que já não contribui para o bem-estar, e não uma falha moral. Apontam para a necessidade de apoio e de pequenas mudanças.
Perceber o que está por trás das suas emoções e fazer pausas conscientes
Cenário: A Emma, 16 anos, abre o Instagram quando se sente stressada depois da escola. Apercebe-se de que começa a comparar-se com publicações de influenciadores e acaba por se sentir ainda pior.
Ação: A Emma faz uma pausa, respira profundamente três vezes e escreve uma frase simples: “Sinto-me stressada por causa da pressão da escola, não por causa da minha vida.” Depois, escolhe uma atividade offline (desenhar, dar um passeio ou escrever num diário) durante 10 minutos.
Resultado: Interrompe o ciclo automático de navegação, reduz o stress e ganha maior consciência sobre o que está a influenciar as suas emoções.
Analisar e questionar representações irrealistas
Cenário: O Ben, 20 anos, está a navegar no TikTok antes de se deitar e começa a ver rotinas matinais “perfeitas” e vídeos de transformações físicas. Apesar de saber que são criadores populares, começa a pensar: “Toda a gente tem a vida organizada menos eu”, sentindo-se ansioso e excessivamente crítico consigo próprio.
Ação: O Ben pára num dos vídeos e faz uma verificação rápida da realidade. Procura sinais de que o conteúdo foi cuidadosamente construído (filtros, iluminação intensa, cortes rápidos, identificação de marcas). Pergunta a si próprio: “O que está a ser promovido aqui? O que não está a ser mostrado?”. Seleciona a opção “Não tenho interesse” em conteúdos semelhantes e escreve uma nota simples: “Isto é um momento selecionado, não uma vida completa.” Depois, pousa o telemóvel e faz uma pequena atividade de pausa (alongamentos ou preparar um chá) durante cinco minutos.
Resultado: O ciclo de comparação perde força. O Ben sente-se mais calmo, dorme melhor e começa a identificar mais rapidamente conteúdos irrealistas. Com o tempo, o seu feed torna-se mais equilibrado e ele ganha maior confiança na distinção entre imagens cuidadosamente construídas e o valor real da sua própria vida.
Exemplo e modo de utilização
"Teste do temporizador de um dia"
“Real ou Filtro?” - Exercício rápido
Construa o seu hábito saudável nas redes sociais
Reflexão adicional::
Compreender as emoções que o/a levam a pegar no telemóvel como o tédio, o stress ou a solidão, ajuda-o/a a perceber porque recorre às redes sociais e dá-lhe a oportunidade de escolher uma resposta mais saudável.
Perceber o impacto de remover conteúdos negativos mostra até que ponto o seu feed influencia as suas emoções e incentiva-o/a a construir um espaço online mais positivo.
Testar estas ferramentas permite perceber quais as funcionalidades que realmente ajudam a quebrar hábitos automáticos e a recuperar o controlo sobre o tempo de ecrã.
Planear uma mudança concreta ajuda a manter a motivação, transformando reflexões em ação e contribuindo para a construção de rotinas digitais saudáveis e duradouras.
Local/Contexto: Região da Lombardia, Norte de Itália (escolas secundárias)
Programa: Bem-Estar Digital – Escolas – currículo de educação para os media e iniciativa de formação de professores
Grupo etário: Estudantes do 10.º ano do ensino secundário (≈ 15–16 anos)
Estratégias principais: Foi integrado nas aulas regulares um curso de formação para professores composto por quatro módulos sobre literacia digital e utilização consciente do tempo de ecrã (com foco na gestão do tempo de utilização). Os professores receberam formação colaborativa e, posteriormente, ensinaram os alunos a reconhecer e a limitar o uso desnecessário do telemóvel.
Resultados: Num estudo experimental realizado em 18 escolas (aproximadamente 3.659 alunos), a intervenção demonstrou uma diminuição moderada, mas estatisticamente significativa, do uso problemático e excessivo de smartphones entre os estudantes.
Formar técnicos/as de juventude como mentores de bem-estar digital:
Dotar educadores/as de formação aprofundada, baseada em evidência científica, sobre como reconhecer e intervir perante o uso excessivo do smartphone transforma-os/as em orientadores ativos, e não apenas em transmissores de conteúdos.
Os/As técnicos/as participam em workshops que abordam os fatores psicológicos por detrás do scroll compulsivo, as consequências do excesso digital prolongado para a saúde e estratégias práticas a aplicar em contexto educativo — como integrar breves pausas de atenção plena sem dispositivos entre atividades ou dinamizar momentos de reflexão sobre os próprios hábitos digitais dos jovens.
Ao adotarem eles próprios hábitos digitais saudáveis, os/as mentores/as dão o exemplo de um comportamento equilibrado e integram o bem-estar digital no quotidiano educativo.
Esta abordagem holística garante que os princípios de uma utilização consciente da tecnologia são reforçados de forma consistente, tanto em contexto formativo como fora dele, promovendo mudanças duradouras nas atitudes e nos hábitos dos jovens.
Local/Contexto: Londres, Reino Unido – centros de juventude e comunidades online entre pares.
Programa: Social Media Mind, uma iniciativa dinamizada por jovens que promove a utilização consciente das redes sociais, a literacia mediática e a consciência sobre a autoimagem entre adolescentes e jovens adultos.
Estratégias principais: Facilitadores entre pares dinamizaram workshops nos quais ensinaram os jovens a reconhecer fatores que desencadeiam perceções negativas de si próprios, a analisar representações irrealistas de beleza e estilos de vida e a compreender de que forma os algoritmos e a validação social influenciam o estado de espírito. Os participantes refletiram sobre as suas reações emocionais às publicações, reorganizaram os seus feeds e participaram em desafios que promoviam uma expressão online mais autêntica e uma maior ligação fora do contexto digital.
Resultados: Os participantes tornaram-se mais conscientes do impacto das redes sociais no seu estado de espírito e na sua autoestima. Aqueles que passaram a gerir melhor o seu feed e a estabelecer limites relataram maior confiança, menos ansiedade e um melhor controlo do tempo de ecrã. Os desafios dinamizados entre pares incentivaram a autenticidade e interações online mais positivas, contribuindo para a construção de hábitos digitais mais saudáveis.
Formar facilitadores entre pares como mentores de bem-estar nas redes sociais: Capacitar adolescentes mais velhos e jovens adultos com conhecimentos sobre a teoria da comparação social, os efeitos dos algoritmos e a distorção da autoimagem. Os mentores orientam os participantes através de exercícios de reflexão e estratégias práticas, em vez de imporem regras.
Integrar a literacia mediática nos espaços juvenis: Incorporar sessões interativas e momentos de debate em clubes juvenis ou comunidades online, onde os participantes possam analisar conteúdos de forma crítica e praticar uma utilização intencional das redes sociais.
Promover ferramentas de reflexão: Incentivar o registo escrito de emoções, fatores que desencadeiam o uso e hábitos digitais, articulado com círculos de partilha que ajudem a normalizar dificuldades e a trocar estratégias de autorregulação.
Promover campanhas lideradas por jovens: Capacitar os participantes para conceber desafios ou campanhas que incentivem a autenticidade, reduzam a comparação negativa e promovam modelos positivos de comportamento entre pares nas redes sociais.
Os adolescentes que passam mais tempo nas plataformas de redes sociais têm maior probabilidade de relatar sintomas de ansiedade, depressão e baixa satisfação com a vida, particularmente as raparigas.
A utilização das redes sociais ao final do dia está fortemente associada a uma menor qualidade do sono, a uma duração mais curta do sono e a maior dificuldade em adormecer.
Embora muitos adolescentes afirmem que as redes sociais os ajudam a sentir-se ligados e apoiados, quase 1 em cada 3 refere sentir-se pior em relação ao seu corpo ou à sua vida depois de navegar.
A exposição a imagens com filtros e a estilos de vida idealizados afeta de forma desproporcional a autoestima das raparigas, a perceção da sua imagem corporal e o risco de desenvolver comportamentos alimentares desregulados.
Ensinar os jovens sobre o funcionamento dos algoritmos, a pressão dos pares e a distorção da autoimagem ajuda-os a refletir de forma crítica e a fazer escolhas digitais mais saudáveis.
Os adolescentes que gerem ativamente o seu feed, silenciando contas negativas ou selecionando cuidadosamente os conteúdos, relatam sentir-se mais positivos, mais calmos e com maior controlo online.
Pode desfrutar dos benefícios das redes sociais protegendo o seu bem-estar, desde que as utilize de forma intencional, estabeleça limites claros e reflita criticamente sobre o impacto dos conteúdos em si.
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WHO. (2024). Teens, screens and mental health. https://www.who.int/europe/news/item/25-09-2024-teens–screens-and-mental-health
UNICEF. (2024). Teen mental health and social media. https://www.unicef.org/parenting/mental-health/social-media-teens
Gui, M., Ryding, J., Fasoli, M., & Monaco, S. (2018). Digital Well-being: Validation of a digital media education programme in high schools. Università degli Studi di Milano-Bicocca. Retrieved from https://boa.unimib.it/retrieve/handle/10281/221686/306080/Digital-Wellbeing-2018-Validation.pdf
Scottish Children’s Parliament & Scottish Youth Parliament. (2024). Mind Yer Time: Tips and tools to support digital wellbeing. Retrieved from https://mindyertime.scot/
International Forum – Digital Wellbeing@School: https://youtu.be/DhiVRhQVlnI
Mind Yer Time: Our Screensavers’ Webinar: https://youtu.be/KEbdeNbsWSA
Pictures:
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